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O espírito “gente boa” do carioca
que adora o Rio continua firme.
A conclusão é da recente pesquisa,
na qual 73% dos entrevistados
se dizem orgulhosos de morar na cidade.
Entretanto, é certo, que a aprovação do
prefeito não segue o mesmo patamar.
Em meio à epidemia de dengue,
tantas vezes negada por César,
o prefeito decide em seu ex-blog
atrelar os resultados dessa
pesquisa com sua administração.
A atitude inoportuna é mais uma piada
de mau-gosto de um governante
míope diante das reais necessidades
da população.
O carioca não está de olhos fechados e o seu
orgulho é uma característica natural e histórica.
O prefeito deveria obrigatoriamente resolver
os problemas da cidade e
deixar de brincar com questões vitais.
A falta de investimentos sociais
da prefeitura está resultando em mortes.
Não há nenhuma graça em crianças
morrendo de dengue.
Fraude e ligações indecentes entre público e privado
soam gritantes na CPI da Cidade da Música.
Nesta sexta (28 de abril),após a análise dos contratos,
descobrimos que Christian de Portzamparc,
dono do escritório de arquitetura responsável
pelo projeto da Cidade da Música,
também é proprietário de duas outras empresas
que prestaram serviços às obras
na Barra da Tijuca.
Ao todo, as empresas do francês
embolsaram mais de 32 milhões de reais.
Dispensadas de licitação, por um subjetivo
critério, as empresas ainda ferem a Lei 8666
que proíbe a participação
do autor do projeto
na execução ou prestação de serviços da obra.
Durante depoimento à CPI, o secretário
das Culturas, Ricardo Macieira,
afirma que contratou o escritório “por achar”
que eles eram os melhores do mundo.
A partir deste inusitado argumento,
o escritório de arquitetura recebeu
$ 22 milhões sem enfrentar qualquer processo licitatório.
É curioso que no país de Oscar Niemeyer
não tenha nenhum arquiteto ou empresa
nesta área para elaborar este tipo de projeto.
Além do mais o nome de Christian aparece
no contrato social das ACDP Arquitetura e
na ACDP Projetos LTDA.
Ambas têm o mesmo endereço
nos contratos assinados com a prefeitura
(Rua da Glória, 290/ 15º andar),
onde funciona na verdade e
há anos um escritório de advocacia.
Será que são empresas de fachada?
A primeira ACDP foi criada, em 25/05/ 2003,
e menos de um mês depois (15/04/2004)
a Secretaria das Culturas contratou, sem licitação,
esta empresa por R$ 4.800.292,00.
O objeto do contrato foi para serviços
de consultoria especializada para
elaboração do projeto urbanístico e
paisagístico, além de elaboração dos
projetos da sala eletroacústica.
Já a outra ACDP foi criada, em 22/05/2003,
sendo contratada em 20/06/2006 pela
Secretaria das Culturas, também sem licitação,
por R$ 5.951.172,56 para acompanhar o desenvolvimento
das obras e montagem de equipamentos
e outros serviços correlatos.
Ao interpelar o secretário,
por que empresas tão novas
foram dispensadas da licitação, Macieira
limitou-se a dizer que elas detinham notório saber.
Sei não? Aguardem os próximos capítulos....